Guilherme Briggs é um dublador, tradutor, Blogueiro, desenhista e diretor de dublagem brasileiro. É conhecido por seus trabalhos de dublagem de séries de desenho animado, como as vozes de Cosmo, personagem de Os Padrinhos Mágicos, de Freakazoid da série Freakazoid!, Babão de Eu Sou o Máximo, Buzz Lightyear de Toy Story, Daggett, de Castores Pirados, Optimus Prime, de Transformers, Superman, de A Liga da Justiça, entre muitos outros. Atualmente, ele trabalha como diretor de dublagem na Delart no Rio de Janeiro.
Criador do Teatro de Bonecos que é e foi, desde o início um cantinho pra relaxar, brincar, pra dar risada, sem compromisso, livre, leve e solto, espontâneo.
Criador do Teatro de Bonecos que é e foi, desde o início um cantinho pra relaxar, brincar, pra dar risada, sem compromisso, livre, leve e solto, espontâneo.
1-Quem é Guilherme Briggs?
É uma pessoa extremamente simples, que sempre adorou trabalhar e brincar com criatividade, com arte e interpretação, em várias formas.2-Como surgiu essa paixão pela dublagem?
O grande culpado é meu pai, que foi o meu mestre intelectual e artístico, sempre catalisando minhas aptidões. Eu, desde pequeno, conversava com ele sobre a possibilidade de um dia me tornar desenhista e dublador. Atualmente, trabalho profissionalmente com dublagem e interpreto muitos personagens animados, deixando o desenho e a pintura como hobby. Acho que fechei um ciclo de muitas alegrias e de retro-alimentação, consequentemente.3-A partir de quando você se viu nesta profissão?
Como eu disse, desde criança. Como eu gravava historinhas com meu pai com um velho gravador e vitrolinha para as músicas e efeitos, a arte da improvisação, da adaptação de texto, dos tipos, personagens ficaram familiares pra mim. Tudo fluía naturalmente, com muita facilidade. Por isso que atualmente eu me sinto extremamente confortável na profissão, pois remete justamente à minha infância com meu querido pai, tão criativo e inteligente.4-De acordo com a sua história de vida, você teve grande influência familiar para estar trabalhando nesta profissão. Em sua opinião, se não houvesse este incentivo, você acha que mesmo assim estaria trabalhando com dublagens ou teria seguido outra carreira?
Acredito que estivesse trabalhando no ramo artístico sim, possivelmente com dublagem também. Meu pai catalisou, como eu disse antes, essa vontade, mas acho que ela surgiria talvez tardiamente, comigo já adulto. Como saber, não é? Mas é interessante pensar nessa possibilidade, eu em outra profissão.5-Qual a dublagem mais importante (pra você) que você já fez?
Foi quando gravei junto com o Alexandre Moreno (o Alex) o Rei Julien, de Madagascar, para uma criança que estava prestes a ser operada pela quarta vez no coração. O menino tinha perdido a esperança e a mãe contactou nossa amiga Telma, que nos reuniu, montou um vídeo e nós dublamos, para o pequeno Tutuco (Arthur) com Alex e Julien mandando mensagens especiais para ele, pedindo para Tuco voltar logo pra brincar com eles. O médico disse que a recuperação dele foi excepcional, como ele nunca tinha previsto, o que nos deixou muito emocionados e comovidos. Foi minha dublagem mais importante, sem dúvida.6-Qual a sua dublagem predileta?
Daggett, de Castores Pirados, como falo em toda entrevista e nunca vai mudar! Hehehe... O meu castorzinho é meu xodó, minha paixão, foi onde eu coloquei toda a minha alma de criança, durante quase 5 anos de série animada, para a Nickelodeon.7-No Brasil, esta atividade tem o reconhecimento merecido ou ainda existe pouca valorização para o profissional?
O público cada vez ama mais dublagem e conhece e reconhece seus dubladores. Infelizmente, agora existe a pouca valorização agora por parte de quem está contratando nossos serviços, pois estou percebendo que cada vez mais os orçamentos abusivamente baixos é que estão sendo levados em consideração, em oposto à qualidade final do produto, o que é o prenúncio do desastre. Temos estúdios e dubladores excelentes parados, por falta de trabalho, enquanto estúdios pequenos, de fundo de quintal estão trabalhando, usando mão de obra barata e não qualificada. O que precisa ser feito é uma conscientização de que um filme que sai barato em um estúdio, com um elenco mal escalado, sem preparo, feito de qualquer maneira, vai acabar sendo uma bomba relógio que vai explodir no futuro. É como vender sanduíche com carne passada ou com ingredientes de má qualidade: a freguesia vai diminuir. Seja em alguns meses, semanas ou dias. É só uma questão de tempo. E os danos, são permanentes, pois abrem precedente para outros tentarem tirar vantagem dessa economia porca e deplorável. Estamos vivendo a maior crise da dublagem dos últimos 50 anos.8-Quais as maiores dificuldades que você enfrentou como dublador, para conseguir chegar aonde chegou?
Olha, as maiores dificuldades foram conciliar técnica com arte, pois eu sempre tive muita energia, muita vontade e tenacidade pro ofício, eu só precisava saber dosar e controlar e calibrar direitinho essas forças. Cada dia é um aprendizado e mais um pontinho no auto-conhecimento como artista. Eu tenho ainda muita coisa pra aprender e um longuíssimo caminho pra seguir e estou sempre disposto. Como diria Rocky Balboa no último filme dele: “Não se trata de quem bate mais forte. Se trata de quão forte pode ser atingido e mesmo assim continuar em frente. Quanto você pode ser derrubado e mesmo assim continuar sua vida”. Uma grande lição, realmente.9-Para trabalhar nesta área é exigido alguma formação profissional ou o talento é mais do que suficiente?
Você precisa ser ator, com o registro profissional. Existem casos isolados, como o meu. Eu nunca fiz curso de teatro, sou autodidata, no máximo fiz teatro amador, mas consegui comprovar trabalhos junto ao sindicato e eles apostaram em mim, para meu espanto. O talento é fundamental e é a única coisa que abre as portas realmente. Você até preferir usar o caminho mais fácil e ter um conhecido, um pistolão, como se dizia antigamente, dar um “jeitinho”. Ok, pode ajudar no início, mas depois, no “correr da carruagem”, os cavalos podem tropeçar, o cocheiro cair na rua e a roda quebrar, pois quem não é talentoso ou competente, não se estabelece. 10-O que te levou a criar o Teatro dos Bonecos?
Foi a necessidade de juntar a fome com a vontade de comer, eu sempre gostei de quadrinhos e de brinquedos, então uni as duas coisas e criei o teatro de bonecos, que é uma diversão saudável, descompromissada, totalmente sem nenhuma finalidade a não ser me divertir e, de tabela, também entreter quem visita o blog. É como eu sempre digo, no nosso teatro “os atores são de plástico, mas a vontade é de ferro!”11-O Teatro dos Bonecos acabou de completar seu primeiro ano de vida, qual foi à maior conquista que ele lhe concedeu?
Foi perceber que ele trazia alegria realmente as pessoas que visitavam. Eu percebia pelos comentários, pelas fotos de brinquedos e de crianças que me mandavam. Isso tudo me deixou muito feliz, realizado. Eu recebi várias fotos de pais fazendo teatrinhos de bonecos com seus filhos, criando falas, balõezinhos e me enviando. Isso não tem preço. Veja a comoção em cima do Tobias, ele é amado por velhos, jovens e crianças com seus videozinhos simples e descompromissados. Recentemente, o teatro de bonecos ganhou o primeiro lugar no Prêmio TOPBLOGS, na categoria Humor, Populariedade, o que foi inesperado. Eu me inscrevi a pedido de amigos e visitantes do blog e tomei um susto quando vi que estava entre os três finalistas e depois descobrindo que tinha ficado com o primeiro lugar, ganhando troféu, certificado e tudo. Foi muito gostoso isso tudo, vou guardar essa experiência pra sempre, sem dúvida. Mas uma coisa eu prometo a todos: jamais vou mudar o que o teatro de bonecos é e foi, desde o início: um cantinho pra relaxar, brincar, pra dar risada, sem compromisso, livre, leve e solto, espontâneo. 12-Quais suas previsões para o futuro, como dublador e como blogueiro?
Como dublador, só peço saúde, pois meu amor pela profissão nunca diminuiu e só tende a aumentar. Quero chegar aos 90 anos como meu padrinho de profissão, Orlando Drummond, que é um exemplo pra todos nós. Ele sempre tem uma energia, uma alegria de viver que comove e contagia a todos. Quero estar em paz, dirigindo filmes e dublando meus personagens, trazendo alegria para o público, que sempre me tratou com tanto carinho. Já como blogueiro, eu quero mais é fazer meus teatrinhos de bonecos, meus quadrinhos, gravar mais vídeos com historinhas do Tobias, enfim, trabalhar minha criatividade, pois acho que é aí que está a verdadeira fonte da juventude. Usar o cérebro para o bem e ser feliz comigo mesmo e minha querida família.13-Quais as dicas que você da para quem está iniciando ou tem vontade de iniciar na carreira de dublador?
Que tenha sempre em mente que a vaidade só corrompe quando não é controlada. Um ator ou dublador deve ser humilde, estar sempre interessado em estudar, em praticar muito, em pesquisar. Nunca, jamais deve ficar almejando objetivos de superar A ou B, criando uma competição – que no final não leva a nada, pois cada pessoa é uma pessoa, cada talento é um talento - mas sim fazer o seu preparo particular, com muita entrega e concentração, com muita determinação e vontade, com tenacidade, bebendo das melhores fontes, sempre com muita sinceridade, simplicidade e honestidade. Um ator deve ser um observador assíduo da vida ao seu redor, estar sempre sorvendo idéias, detalhes, cores, movimentos, momentos, sentimentos, tudo que puder para utilizar em seus personagens. E, pra finalizar, um ator ou dublador deve amar a profissão e não achar que está trabalhando e sim brincando, como uma criança, usando a técnica para ajudar apenas. Só um pouco.







